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01/06/2009 às 18h21min - Atualizada em 01/06/2009 às 18h21min
   
TAMANHO DA FONTE A- A+
Editorial: A Crise Econômica e o Despertar dos Movimentos Populares
Mês: Maio - A Crise Econômica

Diante das informações que circulam em nosso país, principalmente aquelas repassadas pelos representantes da elite econômica regional nos próximos meses a situação do nosso município ficará pior, pois a população de desempregados terá encerrado o recebimento das parcelas do seguro-desemprego, além de correr o risco de novos postos de emprego ser fechados.
O CDVDH e a Paróquia São João Batista juntamente com muitas outras entidades da sociedade civil organizada, do setor público e privado preocupados com o agravamento da crise em Açailândia e região, vem ao longo desses meses discutindo, estudando, denunciando e se articulando para realizar uma Audiência Pública onde se possam apresentar de maneira concreta os impactos sociais causado pela crise mundial e, formando um arco de aliança em favor da dignidade humana possa construir alternativas que minimize futuros problemas.
As siderúrgicas localizadas no distrito de Piquiá indicam que a Vale (CVRD) desde o ano passado, período inicial da crise, vem monopolizando a comercialização do ferro-gusa, erroneamente um dos mais importantes produtos da economia açailandense, já que detêm o controle e propriedade da mina de minério-de-ferro, a ferrovia de Carajás e o porto de Itaqui. Infelizmente o capitalismo, o neo-liberalismo, a globalização ou qualquer coisa do tipo faz gerar ervas daninhas, como a crise e o monopólio político-econômico dentre outras.
A margem de se ter consciência do problema que vivemos – a crise econômica mundial, a grande maioria do povo açailandense não se deu conta de que o aumento da inadimplência no comércio, o aumento de assaltos e roubos, o crescente número de mototaxista e taxistas clandestinos, descredenciados, a redução nos repasses de recursos do governo federal para os municípios está relacionado diretamente com a crise. Pior ainda, assistem ao jornal Nacional e até choram, preocupados com os “sem-tetos americanos”, entretanto não sabem que na vila Ildemar, Pequiá, Capelloza, Jacu e em outros bairros do nosso município centenas de famílias desempregadas começam a ter que ir para outros estados, principalmente o Pará para engrossar as fileiras do trabalho escravo.
Deveríamos nos perguntar: O que foi feito com o lucro acumulado no ano de 2008 pelas siderúrgicas, principalmente pela Vale (CVRD)? Repartidos com os trabalhadores e trabalhadoras que suaram a camisa para gerar esse bem material, têm certeza que não.
Responder a questionamentos como este ou ficar lamentando a situação em frente a televisão, por si só não resolvem o problema. É preciso que despertemos para a realidade e reconheçamos a força que temos quando nos unimos, pois é lamentável dizer que ficar de braços cruzados, esperando que “caía do céu” uma solução é o cúmulo da ignorância.


ARTIGO DE OPINIÃO

“MÃE, SER RADICAL E INCONDICIONA”

MÃE é simplesmente indefinível. Ela é o centro da vida humana e da sociedade, a formadora e aglutinadora da família. Merece muito mais que um “Dias das Mães” em maio. No entanto, de zoadas e homenagens festeiras já se falou muito, e vamos para o rescaldo da festa... Para lembrar MÃE de todos os lados, em todos os aspectos...Fui conselheiro tutelar durante seis anos, e conheci centenas de famílias com problemas de toda ordem, imensos, trágicos, mas lá estavam Elas, as Mães, radicais e incondicionais, na defesa intransigente de seus filhos. Mesmo quando a pretexto de entregá-los ao Conselho, por não darem mais conta das aprontações deles, buscavam não desvencilhar-se, e sim o melhor rumo para eles. Por sermos humanos, somos imperfeitos, e temos a obrigação moral e ética de melhorarmos. E MÃE, embora ser especial, também é ser humano,e então imperfeita, também... Daí que muito se coloca sobre a “responsabilidade” da MÃE na criação dos filhos, na solidez da família. E do que vem acontecendo na sociedade. Há quem diga que MÃES, na sua incondicionalidade, acabam por acostumar mal os filhos, protegê-los em excesso, resultando neste ambiente de rebeldia e indisciplina. Uma mãe, idosa, nos procurou no Conselho, trazendo situação que estaria prejudicando suas netas: o filho, drogadependente, estava “fugindo do controle”, com acessos de violência e fúria, furtando, roubando, dilapidando o patrimônio familiar. A nora, coitada, até se conformara com a situação, mas ela, a MÃE, não: “ eu dei vida a ele, é eu que tenho de cuidar, ele não pode destruir sua vida e de sua família, que isto Deus vai me cobrar, seo Eduardo...”. Por vezes, a anciã apresentava nítidos sinais de que fora espancada pelo filho, ao recusar dar-lhe dinheiro, que não tinha... A situação chegou a tal ponto que o convenceram a se tratar, e daqui saiu para um bocado de lugar, sempre retornando e ao seu vicio, e ao ciclo de destruição pessoal e familiar... O pai, no limite, se mandou da cidade, foi para roça, e a MÃE ficou “ “aguentando o rojão, que é minha obrigação”, me disse um dia... Buscava-o na delegacia de policia, recolhia-o da sarjeta, cuidava dele vinte e quatro horas... Depois de rasparem o fundo do poço, a persistência da anciã valeu: o filho está aparentemente recuperado, ou pelo menos, já percorreu a maior parte do caminho da volta. Na tv, estes dias, o Brasil tomou conhecimento que uma MÃE, no desespero para salvar a vida do filho adolescente viciado e traficante, “entregou-o à polícia”. Quem sou eu/nós para julgar/julgarmos estas situações, mas que demonstram as MÃES, protagonistas da vida e do destino de seus filhos. Tenho para mim que as coisas hoje andam desandando na sociedade, com a moral e a ética estupradas permanentemente, pelo desarranjo das famílias, “ a coisa é a educação, Hirata”- me diz um professor municipal, injuriado com a realidade de violência e injustiça. Mas não se culpem as MÃES, elas são como nós, vítimas, deste sistema brutal e perverso em que (sobre)vivemos, onde o que vale é o ter, e não o ser; é o poder do dinheiro, o “status”, o “sabe com quem está falando?”. Outro “sInal dos tempos”: não esqueço palestra, aqui em Açailândia, de Promotor de Justiça, que ressaltava “ a falência da família”, na raiz dos males sociais. Destacava “ o mercenarismo, a industria do reconhecimento de paternidade e do ensinamento alimentício”, quando “mulheres, muito jovens principalmente descambavam para o golpe da barriga...”. È outra face da moeda, que não explica tudo, até onde uma coisa tem a ver com outra, isto é, o papel da MÃE na criação e formação da família. Eu prefiro ficar com o papel da anciã, que a custa de suor, sangue e sacrifício , está salvando o filho, os netos, a nora, a família.



Fonte: Eduardo Hirata





 



 
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